O que são disfunções ovulatórias e quais são as principais?

Alterações na regularidade e na qualidade da ovulação estão entre os principais fatores de infertilidade feminina

 

A ovulação é um dos eventos mais importantes do ciclo reprodutivo feminino. É o processo em que o ovário libera um óvulo maduro, apto a ser fecundado. Quando este mecanismo ocorre de forma regular, as chances de gravidez aumentam significativamente. No entanto, quando há falhas nesse processo, podem surgir as chamadas disfunções ovulatórias, que estão entre as causas mais frequentes de dificuldade para engravidar.

As disfunções ovulatórias podem se manifestar de diferentes formas, como pela ausência total de ovulação, por ovulações irregulares ou por alterações hormonais que comprometem o ciclo. Embora diferentes, é comum que alterações não apresentem sintomas perceptíveis além de irregularidade menstrual, o que evidencia a necessidade de diagnóstico precoce.

No conteúdo a seguir, entenda mais sobre as disfunções ovulatórias, qual é o seu impacto na fertilidade feminina e o que deve ser feito quando elas são diagnosticadas.

O que são disfunções ovulatórias e por que elas afetam a fertilidade?

Para que a ovulação ocorra corretamente, é necessário que haja uma comunicação muito precisa entre o cérebro (hipotálamo e hipófise) e os ovários, mediada por hormônios como o FSH, o LH, o estrogênio e a progesterona. Quando há desequilíbrios nesse eixo, isso resulta nas disfunções ovulatórias, em que a ovulação não ocorre ou acontece de maneira irregular.

Como a fertilidade não depende apenas da presença do óvulo, mas do momento correto em que ele é liberado e da qualidade hormonal do ciclo, podemos dizer que as disfunções ovulatórias estão diretamente relacionadas à infertilidade.

Nesse contexto, estima-se que alterações importantes no processo de ovulação estejam envolvidas em cerca de 25% a 40% dos casos de infertilidade feminina, seja como causa isolada ou em combinação a outros fatores.

É importante complementar que, além de impactarem a ovulação em si, as disfunções também podem alterar a preparação do endométrio, camada interna do útero, para a implantação do embrião. Ou seja, mesmo quando a fecundação ocorre, as chances de insucesso na gravidez ainda existem.

Tipos de disfunções ovulatórias

Como já mencionado, as disfunções ovulatórias podem ocorrer por meio da ausência ou da irregularidade do processo de desenvolvimento e liberação dos óvulos. Dependendo da maneira como elas se manifestam e dos mecanismos específicos com os quais elas impactam a fertilidade, as disfunções podem ser classificadas em diferentes tipos.

Anovulação

Na anovulação, não ocorre a liberação do óvulo. Ou seja, o ciclo menstrual pode até acontecer em todas as suas etapas prévias, mas sem que haja ovulação efetiva. Isso inviabiliza a fecundação naquele ciclo, pois não há gameta feminino disponível.

Oligo-ovulação

Na oligo-ovulação, a mulher ovula, mas não em todos os ciclos. Os ciclos tendem a ser mais longos, irregulares ou variáveis, em uma ausência de padrão que reduz as janelas férteis ao longo do ano e diminui as oportunidades espontâneas de concepção.

Disfunções do eixo hipotálamo-hipófise-ovário

Nesses casos, pode haver comprometimento da liberação adequada de FSH e LH, hormônios essenciais para o amadurecimento e ruptura do folículo ovariano. Assim, há falha na maturação folicular ou ausência de pico de LH, impedindo a ovulação adequada.

Disfunção da fase lútea

A fase lútea ocorre após a ovulação e é marcada pela produção de progesterona. Quando há disfunção, o endométrio pode não se preparar adequadamente para receber o embrião. Ou seja, embora a ovulação ocorra, a implantação pode ser comprometida.

Insuficiência ovariana primária

Na insuficiência ovariana primária, há uma redução precoce da função dos ovários (antes dos 40 anos). Isso leva à diminuição da reserva ovariana e da frequência ovulatória.

Distúrbios da tireoide (hipo ou hipertireoidismo)

Alterações na tireoide podem interferir na produção de hormônios reprodutivos e no padrão ovulatório. Assim, tanto o hipotireoidismo quanto o hipertireoidismo podem desencadear disfunções ovulatórias, afetando a regularidade do ciclo e a qualidade da ovulação.

Hiperprolactinemia

A prolactina elevada inibe a liberação do GnRH, hormônio responsável por iniciar a cascata do processo ovulatório. Com isso, pode haver disfunção parcial ou total da ovulação.

Síndrome dos ovários policísticos (SOP)

A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é uma das causas mais frequentes de disfunções ovulatórias. O excesso de andrógenos e a resistência à insulina dificultam o amadurecimento adequado dos óvulos. Como consequência, a ovulação é irregular ou ausente.

Disfunções ovulatórias relacionadas ao estresse

O estresse crônico pode impactar significativamente o funcionamento do eixo hipotálamo-hipófise-ovário. Nesses casos, a ausência de ovulação pode ser temporária, de acordo com a inibição dos estímulos hormonais.

Disfunções ovulatórias relacionadas à idade reprodutiva

Com o avanço da idade, especialmente após os 35 anos, ocorre um declínio natural da reserva e da qualidade ovariana. Esse processo pode levar a disfunções ovulatórias caracterizadas por ciclos irregulares e menor qualidade dos gametas.

Como as disfunções ovulatórias são investigadas e tratadas?

A investigação das disfunções ovulatórias geralmente ocorre após a análise dos sintomas relatados pela paciente ou quando é necessário identificar as causas da infertilidade feminina. Para isso, deve-se realizar uma avaliação clínica detalhada, com o apoio de exames hormonais e de imagem. Entre os mais solicitados, podemos mencionar:

  • Dosagem de FSH, LH, estradiol e progesterona;
  • Exames de prolactina e hormônios tireoidianos;
  • Exame de hormônio antimülleriano (AMH);
  • Ultrassonografia para monitoramento folicular.

Ao interpretar os resultados desses testes, levando em consideração o histórico clínico da paciente, sua idade e o tempo de tentativas, o especialista em reprodução humana é capaz de determinar o tratamento ideal para as disfunções ovulatórias, que pode incluir:

  • Correção de distúrbios hormonais;
  • Ajustes metabólicos e nutricionais;
  • Indução da ovulação com medicamentos específicos para aumentar as chances de concepção espontânea ou para realizar técnicas de reprodução assistida, como inseminação intrauterina ou fertilização in vitro.

Em clínicas especializadas, como a Mater Prime, a abordagem deve ser sempre individualizada. O objetivo não é apenas restaurar a ovulação, mas otimizar as chances de gravidez de forma segura.

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Fontes:

Mater Prime

National Institutes of Health

Associação Brasileira de Reprodução Assistida

Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia

Blog

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